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Conheça a história do bem-humorado Almir Batman

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Por Millena Araujo (Fotos: Divulgação)

Profissão como taxista é a maior responsável pelas conquistas do motorista que já dedica 40 anos da sua vida ao táxi

Já imaginou cair de paraquedas em uma profissão, dedicar mais da metade da sua vida a ela, conhecer a esposa enquanto trabalhava e se orgulhar da história que construiu? Tudo isso foi vivido pelo taxista Almir José Bezerra, 59 anos, mais conhecido como Almir Batman, TP 4271, que roda no ponto da Rua da Saudade, na Travessa da Av. Conde da Boa Vista, há 40 anos na ativa como taxista.

Ele entrou para vida de taxista por acaso. Em 1979 foi para São Paulo, começou trabalhando em um posto de gasolina e depois virou o gerente do local. Certo dia, um colega pediu o veículo particular do Almir emprestado e ofereceu o dele, que, na verdade era um táxi. Almir aproveitou a oportunidade para trabalhar com o carro do amigo durante as noites de sexta, sábado e domingo. Após três meses, o amigo propôs trocar os carros, seu táxi do ano 79 pelo veículo particular de Almir, ano 73. A partir desta troca, iniciava a nova profissão na vida do Almir.

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Momento família

Almir viveu e vive alegrias, satisfação e, claro, alguns apuros ao longo desses anos como profissional. Mas uma das histórias mais interessantes do motorista aconteceu quando ele estava passando pela orla de Boa Viagem e aceitou uma corrida. “Peguei uma morena como passageira, ela sentou no banco de trás e disse que ia até à rodoviária”, recorda. Antes de chegar ao local combinado, ele soltou o xaveco “posso te falar uma coisa? Eu nunca vi uma morena tão bonita como você”. Ele estava falando isso para sua atual esposa, a Marilene da Silva.

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Na rodoviária, ele se ofereceu para levá-la até seu destino, João Pessoa, na Paraíba. “Ela me disse que morava lá. Eu me ofereci e ela disse que não tinha dinheiro para pagar. E mesmo eu falando que estava me oferecendo, ela não aceitou”, conta. Mas ele não desistiu. Perguntou o local onde ela morava e ela deu o endereço. Pouco tempo depois, ele foi até o lugar informado e encontrou Marilene pela segunda vez. Na época o galanteador tinha 32 anos. Imediatamente, começaram a conversar e as visitas de Almir se tornaram cada vez mais frequentes. O resultado disso foi o início do namoro que virou casamento. Juntos há 27 anos, são pais de dois filhos. Tâmara e Lucas, hoje com 25 e 17 anos, respectivamente. E ainda são avôs de Maria, Benjamim e Samuel. “É uma história bonita. Aconteceu por acaso e tudo isso por causa do táxi. Táxi é a melhor profissão que existe”, afirma, Almir cheio de felicidade.

Se não bastasse a bela história do casal, Almir ainda tem uma figura ilustre em sua família, seu irmão Ademir Rodrigues de Araújo, popularmente conhecido como Ovelha, cantor, compositor e instrumentista pernambucano. “Graças ao táxi, ele virou Ovelha”, recorda Almir. Ele contou que antes de sua ida para São Paulo, seu irmão só cantava em bandas locais do Recife. “Após a minha chegada em São Paulo, enviei passagens aéreas para ele ir morar lá e sua carreira começou a deslanchar”. Segundo Almir, depois de muitas noites cantando na capital paulista, em 1980, ambos compuseram a canção “Te amo, que mais posso dizer” e deu no que deu, Ovelha se tornou uma estrela da música em 1981 e ficou por quatro anos nas paradas de sucesso com este hit, lembra enquanto canta um pedaço da música.

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Apuros no Táxi

Mesmo com a maioria das recordações positivas em sua profissão, Almir lembra de alguns momentos difíceis. Ele sofreu três tentativas de assalto. E todas foram agressivas. Uma delas foi enquanto seguia pela Av. Caxangá sentido subúrbio/cidade e duas moças e um homem deram a mão para parar o táxi. O rapaz sentou no banco de trás em frente a poltrona do motorista, ao seu lado uma das moças e a outra na frente, ao lado do Almir. “Eles pediram para fazer o retorno sentido Camaragibe. E logo, eu percebi que eles estavam confusos com o caminho. Comecei a achar suspeito. Me pediram para voltar ao mesmo lugar. Foi quando olhei pelo retrovisor e o homem estava com uma faca”. O rapaz desferiu um golpe no pescoço de Almir. Uma das moças puxava o cabelo e a camisa do taxista e a outra dava socos no estômago. Ele reagiu, uma das moças desceu e saiu correndo. Um rapaz que ia passando em uma moto o ajudou. Um policial também chegou na hora. A polícia prendeu os três em flagrante.

Mais dessas histórias aconteceram e foram duas tentativas de assalto. Um rapaz que pediu uma corrida para a Agamenon Magalhães e, ao chegar no local, pagou o valor da corrida, que na época foi R$ 10. Ao descer do carro, puxou uma arma e levou o veículo Vectra que o Almir tinha na época. O carro foi encontrado oito dias depois.

Ainda foi assalto, uma terceira vez. Parecido com o fato anterior, um rapaz solicitou uma corrida e ao chegar no destino, puxou um revólver e anunciou o assalto. Desta vez, levou o arrecadado do dia. “Foi 20 anos rodando em São Paulo e esses três acontecimentos foram no Recife. Por incrível que pareça, em São Paulo eu rodei mais tempo e nunca fui assaltado. Aqui é um pouco mais perigoso do que lá”, lamenta.

O apelido de Batman

O apelido “Batman” surgiu há mais de 20 anos. Ao chegar de São Paulo, ele se recorda que estava vestindo uma pochete e foi na Rua da União, que fica na área central da capital pernambucana. Logo, os colegas do local começaram com brincadeiras dizendo que seu acessório parecia com o cinturão do Batman. “Eu não gostei muito na época, mas quando você não gosta muito de um apelido acaba ficando. E ficou”, declara com gargalhadas.

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Uma resposta

  1. Olá tudo bem? Amei a matéria! Muito obrigada Milena, você uma profissional excelente. Agradeço a todos e sigo na divulgação desse belíssimo trabalho. Abraços!

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